Mostrar mensagens com a etiqueta sarasilva. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sarasilva. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Passar a noite fora

Noites culturais
Com o insuficiente sinal de wireless que temos no hotel, pouco mais conseguimos do que a página principal do Google. Contudo, embora estejamos de facto isolados somos todas as noites convidados a viajar para um dos países presentes neste encontro, uma estratégia óptima para quebrar estereótipos e para entender um pouco mais sobre as diferentes culturas que nos acompanham nestes onze dias. As noites interculturais, definição consensual neste tipo de projectos, traduzem-se de diferentes formas. Por razões óbvias, duas delas tiveram um carácter mais eurocentrista, enquanto as outras duas nos levaram para realidades menos conhecidas. De repente éramos convidados de honra de todo o ritual do casamento palestino, uma tradição bastante demorada, ou ainda levados a descobrir o nosso futuro através das borras de café turco no fundo de uma chávena. Foram feitos jogos de perguntas, tipo Trivial Pursuit, pequenas dramatizações, danças, projecção de fotografias e claro…sempre muita comida!
De uma forma divertida e relaxada, depois do brainstorming diário, sabe tão bem assumirmos outras entidades nacionais, conhecer elementos culturais diferentes, que embora nos pareçam estranhos, fazem-nos perceber que todos eles têm o mesmo objectivo: unir os homens, os povos, traduzir e identificar valores comuns duma herança única. Todos nós tínhamos muito para mostrar nestas noites e apercebi-me o quanto necessitamos de algo palpável para nos assumirmos enquanto indivíduos que pertencem a uma determinada cultura.
Nós, portugueses, optámos pelo vinho do Porto, o chouriço assado, as guitarras em papel duma casa de fados fictícia, licor Beirão, um galo de Barcelos e alguns bolinhos tradicionais que facilmente se puderam conservar. O cartaz “Welcome to Tasca” acabou por se infiltrar na decoração da sala durante os dias seguintes.
Este tipo de noites, tal como, observar, assimilar e compreender são as melhores ferramentas de comunicação ao nosso dispor.
A bateria do telemóvel tem chegado e já lá vão cinco dias.
Sara Silva


1. Casamento palestiniano.
2. O destino turco.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Linguagem cultural

Abraçar o mundo através música

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O microfone aos Palestinianos

Para quem quiser ouvir

"Eu não quero que ninguém me alimente, ninguém que me dê água, que me tire dos sítios onde quero estar. Prefiro ser eu a tomar conta de mim. Isto pode parecer ridículo, mas é assim que vejo as coisas. Eu até sou do tipo de pessoas que se sente satisfeita com o que tem. Israel está aqui e não vai sair. Está nas nossas terras e vai continuar a estar. Acredita que o caminho não passaria totalmente por deixar de lutar, mas por agora seria jogar o jogo deles. Ok, parem de arranjar desculpas para ocupar cada vez mais as nossas terras e para matar cada vez mais palestinianos. Parem com isso. Levem o que quiserem e deixem-nos com o pouco que ainda temos." Jabra

"Precisamos que alguns colonatos sejam removidos. Também precisamos de sermos nós a tomar conta da nossa terra. Não podemos ter uma Cijordânia dividida em duzentos pedaços. Se eu tiver de ir de Belém a Ramallah são 20 minutos a conduzir. Agora demoro cerca de duas horas, a passar por centenas de postos de controlos e a seguir inúmeros desvios. Para eu me sentir satisfeito, tinha que poder mover-me no meu país. Sejam quais forem as fronteiras com as quais acabe por concordar mais tarde, eu quero poder viajar livremente, sem nunca ter que pedir permissão a ninguém para ir a nenhum lugar do mundo. Eu não quero negociar com niguém o poder movimentar-me no meu país. Eu um direito simples e primário que tenho se me quiser considerar com um cidadão de um país chamado Palestina." Nicola

"Para mim, uma solução que satisfaça ambos os lados não existe. Mas acredito que eles talvez considerem a possibilidade de nos dar a Cijordânia e Gaza. Se nos aceitarmos isso, vamos acabar por abrir mão de imensas coisas. Primeiro, os direitos dos refugiados, seria abdicar deles, não admitindo que eles pudessem voltar. Depois existe ainda a questão do abastecimento de água e, claro, o problema de Jerusalém e o facto de não conseguirmo ir livremente a qualquer zona sob o controlo de Israel." Daniela

"No meu ponto de vista, toda a gente devia ter o direito de poder viajar livremente. Espero que todos os postos de controlo, todas as fronteiras fechadas, todas as restrições possam vir a ser removidas, para que possamos ir a certos lugares da Palestina, do nosso país, onde nunca estivemos." Jasmine

"Imaginem uma cassa onde vocês morassem. Um dia vinham estranhos atirar-vos dali para fora. Vocês lutavam com eles e concordavam - ok, fiquem com a casa, nós contentamo-nos com um quarto. O tempo passava, tinham filhos e começavam a perguntar-se a vocês próprios - mas porque tenho de ficar só com este quarto, se a casa é minha porque não posso ter acesso a todas as divisórias? É uma questão que temos de ter bem presente antes de podermos falar sobre o que se está a passar. Se eu fosse a Portugal e quisesse ficar com a vossa terra e deixar-vos só uma pequena parte, vocês aceitavam?" Leith

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O Muro

Mensagens de Vergonha





domingo, 11 de janeiro de 2009

Jerusalém, a Cidade Santa

O que há de tão especial nesta cidade?

Contaram-nos que alguém disse que não havia nada de mais em Jerusalém, mas a verdade é que aqui está tudo.

As três religiões monoteístas que sustentam grande parte do pensamento religioso mundial convergem nesta cidade que é metade palestiniana, metade israelita. Milhões de peregrinos visitam Jerusalém todos os anos, as épocas de maior afluência vão mudando consoante os diferentes períodos religiosos de cada uma das crenças.

Os judeus concentram-se no muro das lamentações, o mesmo muro onde Maomé prendeu os seus cavalos quando subiu aos céus no Dame of the Rock alguns metros mais atrás. O milagre da ressurreição, o maior símbolo do Cristianismo está também presente dentro das muralhas do antigo centro da cidade de Jerusalém. Aqui, podemos caminhar na Via Sacra onde há dois mil anos atrás Jesus carregou a sua própria cruz e personificou a mensagem mais importante da sua doutrina: o perdão. O Santo Sepulcro, outro dos locais mais visitados pelos peregrinos cristãos é religiosamente vigiado por padres ortodoxos de diferentes partes do mundo. Aqui, tentei sentir a força de anos de catequese e missas de domingo, algo que se tornou fisicamente impossível tal é a afluência do local.

Jerusalém mostrou-se muito diferente da imagem que fiz dos livros de catequese e dos filmes que costumam passar na Páscoa e no Natal nas televisões portuguesas. Jerusalém é uma cidade controlada de forma obsessiva, causando um certo desconforto para quem vai em busca de alguma paz de espírito ou um encontro com o seu Deus.

Durante a visita à Terra Santa fomos submetidos a três inspecções israelitas: uma na entrada da cidade, outra na entrada para o muro das lamentações que se encontra, juntamente com os outros símbolos religiosos, dentro das muralhas da cidade antiga e ainda um outro local de inspecção na entrada muçulmana (único local onde foi vedada a entrada a não crentes). Tudo isto numa extensão de escassos metros quadrados.

Para passar do muro das lamentações para a mesquita de abóbada dourada temos que passar num segundo check-point com soldados israelitas, que para além da pistola comum têm também uma espécie de metralhadora. Pergunto-me, que espécie de local santo é este?

Esperava de Jerusalém um local puro, uma cidade que me conseguiria fazer sentir e encontrar uma justificação para os acontecimentos mais marcantes da História da Humanidade. Não senti, não consigo encontrar nenhuma explicação sustentável e esclarecedora para os dias que se vivem aqui, especialmente, e um pouco por todo o mundo. Porém, a tentativa de procurar a magia do berço das civilizações foi um exercício emocional desafiante.

No fim do dia lembrei-me da Noora e do Usama, os únicos participantes do projecto que não nos puderam acompanhar porque não tinham o “papel de permissão” para poder entrar na Cidade Santa.

Sara Silva

sábado, 10 de janeiro de 2009

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Território Incerto

Ir para a Guerra


Encontramo-nos na Palestina, território onde se vivem momentos dramáticos devido ao conflito em Gaza. Corajosamente, decidimos vir contra todas as preocupações familiares que nos preencheram a semana passada.

Viemos agitadas, no entanto, estávamos receosas que pudesse cair sobre nós uma chuva de rockets perdidos e sem aviso prévio. Sabíamos, através dos meios de comunicação nacionais e internacionais, que em Gaza morriam todos os dias mulheres e crianças, mas sabíamos também que em território israelita se vivia uma relativa segurança.

Os palestinianos eram, de facto, as vitimas do conflito e o movimento do Hamas, o carrasco de Israel. De um lado, um povo desenraizado e fraco, do outro lado, uma estratégia defensiva e ao mesmo tempo atacante bastante meticulosa.

À nossa espera estão dez dias em contacto com jovens de várias partes do mundo, incluindo palestinianos, que tal como nós vieram na esperança de poder partilhar, aprender e sonhar.

Em uníssono e conscientemente acordámos durante o voo que íamos manter a objectividade e isenção que seria necessária para uma análise coerente da situação que se vive neste bocado de terra do tão complicado Médio Oriente.

Chegámos de madrugada a Belém, percebemos que aqui não corríamos perigo e que apesar dos dias difíceis que se vivem, a cidade onde nasceu Jesus mantém a calma e a dimensão religiosa que a caracteriza.
Estamos longe do conflito ainda assim em 40% do nosso pensamento o medo está presente, em 20% o bichinho da aventura e os outros 40% guardam toda a expectativa dos dias seguintes.

Finalmente chegámos, a confusão começa. Esquecemos o que lemos durante todo o voo, lidamos agora com emoções reais e vividas por protagonistas duma história triste.
Sara Pereira da Silva

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

No Avião

Loucura de partir para longe

Com o conflito entre Israel e a Palestina ao rubro... afinal, como é que ainda há pessoas a voar para Telavive?




Marta Velho / Joana Cleto / Sara Silva

Footer