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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A manifestação dos escuteiros

Belém, 13 Janeiro 2009.
As tropas israelitas voltaram a atacar via aérea.

Na praça principal de Belém, com a igreja da Natividade a observar, escuteiros de toda a região fizeram hoje uma manifestação de solidariedade para com Gaza. Crianças, adolescentes e adultos com lenços ao pescoço, juntaram-se em frente ao Centro de Paz de Belém. “Esta manifestação é por aqueles que estão a sofrer em Gaza”, explica Rania Malki, coordenadora do programa do Centro de Paz.
Esta foi uma manifestação cristã curta e pacata, acompanhada de velas e a fazer-se valer pelo simbolismo.


Joana Cleto

sábado, 10 de janeiro de 2009

A importância de Belém e Jerusalém

O berço das religiões

No conflito do Médio Oriente, Gaza e o sul do Líbano são as zonas que estão em crise e que obrigam a movimentações do exército israelita. Mas para Israel, a questão das fronteiras com a Palestina, mesmo noutros locais, continua também por esclarecer.

Jerusalém e Belém são dois pontos estratégicos que mantêm acesa a disputa entre o estado hebraico e os palestinianos. Cidades que fazem parte da Terra Santa e que são o berço de várias religiões, nomeadamente, a cristã, a judaica e a muçulmana. São zonas de muito turismo e com extremo interesse quer para Israel, quer para a Palestina.

Jerusalém, mesmo sendo uma cidade dividida entre estes dois povos, é quase totalmente controlada pelo exército hebraico, que muitas vezes impede a entrada de palestinianos com controlos rigorosos.

Já Belém, a cerca de dez quilómetros, fica mesmo na Palestina e é uma zona considerada pacífica, sob a influência da Fatah, que mantém vários acordos com o Estado hebraico. Quem aqui vive, em Belém, acredita que é do interesse de Israel manter esta zona em paz, uma vez que o exército israelita não tem capacidade para manter constantemente tantas frentes de ataque activas.

O poder de Israel em Belém faz-se sentir de outra forma.

Existem diversos colonatos, ou seja, zonas colonizadas por judeus, que controlam grande parte das terras e a água que abastece quase a Palestina. Uma situação que desespera os palestinianos, que dizem que estas condições vão ainda piorar.

É que Israel está já a construir um muro para dividir a cidade e que deve ficar concluído nos próximos anos.

Marta Velho

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Sentir na pele

Olhar de dentro


É fácil estar em nossa casa, sentarmo-nos no sofá e ligar a televisão para saber as notícias do dia. É fácil ouvir os números dos mortos, saber das estratégias e conhecer até um pouco da história. É fácil ficar impressionado mesmo sabendo que em nossa casa, no nosso sofá, não podemos fazer nada.

Antes de apanhar o avião rumo à Palestina, Gaza era quase e apenas, um acontecimento a marcar a actualidade, com a história do Médio Oriente a acontecer por trás. Coisas que se aprende na escola e que, de vez em quando, nos são lembradas pelos meios de comunicação.

O difícil vem depois.

É difícil ouvir as histórias das pessoas que se conhece e se aprende a gostar, sem nos sentirmos impressionados, emocionados e quase revoltados. É difícil falar com eles sem que a mágoa surja, mesmo que quase acidentalmente. Mesmo quando se riem e fazem piadas sobre a situação. Porque fazem. É difícil saber que hoje estamos aqui, solidários, mas que amanhã vamos embora e eles vão continuar aqui, peões de um jogo que nunca quiseram jogar.

Por muito que se estude, nunca se compreende Gaza, Israel e a Palestina sem se estar cá. Sem ver as caras, saber os nomes, os desejos. Saber que israelitas e palestinianos são pessoas como nós, que querem ser engenheiros, pintores e arquitectos no futuro. Que vivem com medo que esse futuro não aconteça. E que quase todos têm uma história dramática para contar, que viveram de perto, e que aconteceu na própria casa.

Esta viagem valeu a pena logo no primeiro dia. Com o cheiro da terra. Com a hospitalidade dos que nos receberam. Dos amigos que já fizemos e de tudo o que já se aprendeu.

A partir de
agora, nunca mais Gaza vai ser só uma notícia.

Marta Velho

Entender Gaza

O que move esta guerra?

O conflito de Gaza, que começou nos últimos dias de Dezembro, já causou mais de meio milhar de mortos, quase todos palestinianos e a maioria mulheres e crianças.

Israel reclama que os números e as imagens que os meios de comunicação transmitem tratam-se de pura propaganda do Hamas. Primeiro, porque muitas das fotografias e vídeos transmitidos são de outros conflitos e mostram até vítimas provocadas por explosões causadas pelo próprio Hamas. Depois, porque os líderes deste grupo armado se escondem em escolas, hospitais e locais cheios de civis tornando-os a todos potenciais vítimas desta guerra.

Israel argumenta ainda que apenas se está a defender. O Hamas nunca respeitou as tréguas acordadas por ambas as partes em 2006 e frequentemente lançava rockets para solo hebraico. Apesar de os israelitas terem abrigos para se esconder, estes ataques lançam um constante clima de terror na população.

A justificação para a ofensiva de Israel prende-se com o combate ao terrorismo. O estado hebraico quer destruir o Hamas para garantir a segurança dos seus cidadãos. Apesar de os números serem chocantes e díspares em relação ao número de vítimas, as autoridades israelitas continuam a alegar legitima defesa, garantindo que o seu combate nunca foi nem nunca será contra o povo da Palestina.

Mas os palestinianos vivem oprimidos desde os anos 40, quando os judeus começaram a ocupar e a colonizar as suas terras, declarando o Estado de Israel em 1948. Desde então as fronteiras entre os dois povos estão em constante alteração e hoje à Palestina pertence apenas cerca de 10% do seu território inicial.

Mesmo esse pedaço de terra está dividido entre Gaza e a zona da Cisjordânia, onde ficam as cidades de Belém e Jericó, sem haver ligação entre ambas as zonas.

Israel controla o acesso aos recursos da Palestina, como a água e a electricidade. E impede a livre circulação dos palestinianos entre os dois estados com controlos rigorosos nas fronteiras. Existe ainda o drama dos refugiados, havendo milhões que foram forçados a abandonar as suas terras e que se instalaram em campos nos países vizinhos, sem os normais direitos de cidadania.

O Hamas foi eleito em Gaza porque foi sensível a estas questões. Alimentou os que passavam fome e abrigou os protegidos, prometendo recuperar a terra perdida para Israel e com esse argumento justificando os constantes ataques às cidades hebraicas vizinhas. Foi a solução mais fácil para este povo que como opção tinha apenas a Fatah, que controla ainda a zona da Cisjordânia, e que sempre foi associada à corrupção, sem se preocupar com as necessidades da população.

A comunidade internacional debate agora a resolução do actual conflito de Gaza, apelando insistentemente ao cessar-fogo. Mas mesmo quando a paz voltar existem ainda vários problemas de fundo nesta questão entre Israel e a Palestina.


Marta Velho

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

No Avião

Loucura de partir para longe

Com o conflito entre Israel e a Palestina ao rubro... afinal, como é que ainda há pessoas a voar para Telavive?




Marta Velho / Joana Cleto / Sara Silva

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